Você realmente já amou uma mulher?- um questionamento sobre submissão

26 Março 2011

Olá pessoal!!!
Agora acho que consigo escrever algumas coisas das quais citei no comunicado anterior.
Uns dias atrás, minha mãe me pediu pra procurar músicas que falam e descrevem o universo feminino, pois, ela estava organizando um evento para o Dia Internacional da Mulher e me deparei com o clipe da música tema do filme “Don Juan De Marco”, pensei “estou tão fria ultimamente, vou assistir o filme”, me apaixonei pelo filme. Passados alguns dias, entrei em contato com algumas temáticas que em meu olhar, são gritantes e o que ficou foi uma inquietação tremenda, isto é, sobre a auto-erotização (masturbação) e o estupro concedido.
Fico chateada em pensar que atualmente se por um lado, a masturbação é um tema quase proibido entre as mulheres, afinal, aprendemos que isso é feio, falar de sexo é feio, por outro lado, somos ensinadas a satisfazer o parceiro sexual, custe o que custar e sentir dor psíquica e física, portanto, aprendemos a suportar isso como algo correto, pois, o que interessa é a satisfação sexual do homem, não do casal. Fico pensando aqui com os meus botões que talvez a mulher seja “destinada” ao movimento de culpa eterna então, pois, se ela “não pode” e não consegue ter prazer quando quer, na hora que “deveria” sentir prazer em uma relação sexual, não consegue, pois não conhece o próprio corpo (terra de ninguém).
Penso que talvez os homens saibam quando a mulher está fingindo e me pergunto, por que são tão egoístas a ponto de desrespeitar sua parceira? Aí alguém pode falar “Ah não é bem por aí, quem se desrespeita é a mulher, pois não possui amor próprio”, não acredito nisso, mas sim, que se o homem sabe (ouvi isso de alguns amigos, várias vezes), deveria ter a decência de entender que a parceira na verdade quer atenção e carinho e isso é uma “prova” de que estão ali por eles, então, deveriam respeitar e tentar mudar a situação, afinal, depois de uns anos os homens reclamam das “dores de cabeça” de suas parceiras.
Mulher quer ter segurança e confiança no parceiro afetivo, saber que pode contar com ele quando precisa, sentir-se desejada e respeitada como pessoa, não como uma máquina ou um buraco, afinal, relação sexual afetiva é conseqüência de algo bem estabelecido anteriormente, não é justo cobrar desejo de um desencontro, de um contrato mau feito, de um relacionamento em que não se tem o básico, que é a parceria afetiva e reciprocidade.
Todos nós nascemos de uma mulher e geralmente somos cuidados e educados por elas, então, partindo dessa linha de pensamento, os homens deveriam respeitar mais ainda, pois, um dia “desejaram” suas mães com todo amor e carinho e foram “castrados” por seus pais (“resolução” do Complexo de Édipo), mas respeitam seus amigos, inclusive tem uma fase que odeiam as mulheres e ficam no clube do bolinha, para na adolescência buscar o sexo oposto.
Quando escrevo sobre buraco e reservatório, digo que talvez o interesse de alguns homens, seja apenas utilizar o corpo feminino como um objeto de satisfação e não de afeto, descarga de energia somente e as mulheres querem mais, querem afeto, pois, não sofrem o período de castração da mesma forma, o medo da mulher é não ter o amor do parceiro e acabam consentindo o estupro, pois, não querem perder o afeto, fazem por medo do abandono.
Estava conversando com algumas coleguinhas da faculdade e perguntei para elas se já passaram por situações dessa forma, ficou aquele silêncio e eu dei o exemplo que a maioria de nós conhecemos, isto é, às vezes ficamos com alguém e no meio do amasso solicitamos pro “dito cujo” que pare (de passar a mão) e o sujeito esperto responde “parar com o que? O que eu to fazendo?” e a maioria das mulheres se intimidam e falam “nada”, e o sujeito aproveita-se da situação e às vezes consegue fazer o que quer (mulheres experimentem dizer o que é ou que a relação não foi satisfatória, a reação é muito engraçada).
Essa situação que acabo de descrever acontece diariamente e os homens tiram proveito da nossa “vergonha” e quando isso se torna um relacionamento afetivo, continua, mas na cama e às vezes nos sentimos obrigadas a satisfazer o sujeito que dedicamos nosso afeto.
Por ser uma militante do movimento de fazer o que sinto vontade e me negar a fazer quando não existe vontade, acredito sim, que não se perde o amor de ninguém por mostrar o que se sente, além do que, se fizermos o que não temos vontade, temos que nos reaver com o nosso íntimo e desse não existe fuga.
Agora meus queridos coleguinhas, vocês precisam de uma boa dose de vergonha na cara, pois, se vocês sabem de tudo isso, deveriam iniciar o movimento de respeito ao próximo e ganhar suas parceiras de verdade, por desejo e não por satisfação egoísta de vocês, afinal, não somos sortudas por saber fingir, somos pouco estimuladas a solicitar o que queremos, pois, se fizermos isso demais, somos vistas como mulheres vulgares.
Relação sexual só existe quando é recíproca e se for ao contrário é estupro concedido, ninguém gosta dessa imagem, mas, muitos de vocês molestam e abusam suas parceiras, portanto, são estupradores em potencial e nem se dão conta disso, fica como algo inconsciente e nós mulheres somos quase obrigadas a nos contentar com essa indiferença machista.
Deixo vocês com a reflexão do tema, espero que dessa forma ajude um pouco na satisfação de vocês como seres de afeto e não como animais irracionais e sem coração. Novamente deixo o clipe tema do filme “Don Juan de Marco”.




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