Olá pessoal!!!
Agora acho que consigo escrever algumas coisas das quais citei no comunicado anterior.
Uns dias atrás, minha mãe me pediu pra procurar músicas que falam e descrevem o universo feminino, pois, ela estava organizando um evento para o Dia Internacional da Mulher e me deparei com o clipe da música tema do filme “Don Juan De Marco”, pensei “estou tão fria ultimamente, vou assistir o filme”, me apaixonei pelo filme. Passados alguns dias, entrei em contato com algumas temáticas que em meu olhar, são gritantes e o que ficou foi uma inquietação tremenda, isto é, sobre a auto-erotização (masturbação) e o estupro concedido.
Fico chateada em pensar que atualmente se por um lado, a masturbação é um tema quase proibido entre as mulheres, afinal, aprendemos que isso é feio, falar de sexo é feio, por outro lado, somos ensinadas a satisfazer o parceiro sexual, custe o que custar e sentir dor psíquica e física, portanto, aprendemos a suportar isso como algo correto, pois, o que interessa é a satisfação sexual do homem, não do casal. Fico pensando aqui com os meus botões que talvez a mulher seja “destinada” ao movimento de culpa eterna então, pois, se ela “não pode” e não consegue ter prazer quando quer, na hora que “deveria” sentir prazer em uma relação sexual, não consegue, pois não conhece o próprio corpo (terra de ninguém).
Penso que talvez os homens saibam quando a mulher está fingindo e me pergunto, por que são tão egoístas a ponto de desrespeitar sua parceira? Aí alguém pode falar “Ah não é bem por aí, quem se desrespeita é a mulher, pois não possui amor próprio”, não acredito nisso, mas sim, que se o homem sabe (ouvi isso de alguns amigos, várias vezes), deveria ter a decência de entender que a parceira na verdade quer atenção e carinho e isso é uma “prova” de que estão ali por eles, então, deveriam respeitar e tentar mudar a situação, afinal, depois de uns anos os homens reclamam das “dores de cabeça” de suas parceiras.
Mulher quer ter segurança e confiança no parceiro afetivo, saber que pode contar com ele quando precisa, sentir-se desejada e respeitada como pessoa, não como uma máquina ou um buraco, afinal, relação sexual afetiva é conseqüência de algo bem estabelecido anteriormente, não é justo cobrar desejo de um desencontro, de um contrato mau feito, de um relacionamento em que não se tem o básico, que é a parceria afetiva e reciprocidade.
Todos nós nascemos de uma mulher e geralmente somos cuidados e educados por elas, então, partindo dessa linha de pensamento, os homens deveriam respeitar mais ainda, pois, um dia “desejaram” suas mães com todo amor e carinho e foram “castrados” por seus pais (“resolução” do Complexo de Édipo), mas respeitam seus amigos, inclusive tem uma fase que odeiam as mulheres e ficam no clube do bolinha, para na adolescência buscar o sexo oposto.
Quando escrevo sobre buraco e reservatório, digo que talvez o interesse de alguns homens, seja apenas utilizar o corpo feminino como um objeto de satisfação e não de afeto, descarga de energia somente e as mulheres querem mais, querem afeto, pois, não sofrem o período de castração da mesma forma, o medo da mulher é não ter o amor do parceiro e acabam consentindo o estupro, pois, não querem perder o afeto, fazem por medo do abandono.
Estava conversando com algumas coleguinhas da faculdade e perguntei para elas se já passaram por situações dessa forma, ficou aquele silêncio e eu dei o exemplo que a maioria de nós conhecemos, isto é, às vezes ficamos com alguém e no meio do amasso solicitamos pro “dito cujo” que pare (de passar a mão) e o sujeito esperto responde “parar com o que? O que eu to fazendo?” e a maioria das mulheres se intimidam e falam “nada”, e o sujeito aproveita-se da situação e às vezes consegue fazer o que quer (mulheres experimentem dizer o que é ou que a relação não foi satisfatória, a reação é muito engraçada).
Essa situação que acabo de descrever acontece diariamente e os homens tiram proveito da nossa “vergonha” e quando isso se torna um relacionamento afetivo, continua, mas na cama e às vezes nos sentimos obrigadas a satisfazer o sujeito que dedicamos nosso afeto.
Por ser uma militante do movimento de fazer o que sinto vontade e me negar a fazer quando não existe vontade, acredito sim, que não se perde o amor de ninguém por mostrar o que se sente, além do que, se fizermos o que não temos vontade, temos que nos reaver com o nosso íntimo e desse não existe fuga.
Agora meus queridos coleguinhas, vocês precisam de uma boa dose de vergonha na cara, pois, se vocês sabem de tudo isso, deveriam iniciar o movimento de respeito ao próximo e ganhar suas parceiras de verdade, por desejo e não por satisfação egoísta de vocês, afinal, não somos sortudas por saber fingir, somos pouco estimuladas a solicitar o que queremos, pois, se fizermos isso demais, somos vistas como mulheres vulgares.
Relação sexual só existe quando é recíproca e se for ao contrário é estupro concedido, ninguém gosta dessa imagem, mas, muitos de vocês molestam e abusam suas parceiras, portanto, são estupradores em potencial e nem se dão conta disso, fica como algo inconsciente e nós mulheres somos quase obrigadas a nos contentar com essa indiferença machista.
Deixo vocês com a reflexão do tema, espero que dessa forma ajude um pouco na satisfação de vocês como seres de afeto e não como animais irracionais e sem coração. Novamente deixo o clipe tema do filme “Don Juan de Marco”.




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