Nem transou com cadáveres (mulheres frigidas)
Nunca traiu o seu melhor amigo (o pai)
Nem quis comer a tua mãe (complexo de Édipo)
Não quis comer a tua mãezinha
Lá no quartinho escondidinho do papai
“Que está morto numa cama, com uma faca entre os dentes”.
Cazuza
Olá colegas, amigos e leitores!!!! Que saudade de vocês!!!!
Comecei diferente porque acredito que o Cazuza passa um recado muito explicito de uma coisa que cabe só ao universo masculino em uma total relação edipiana e incestuosa com sua mãe, prestem atenção no parênteses.
Hoje vou escrever sobre relações objetais, complexo de Édipo, numa perspectiva do desenvolvimento masculino, visto que, é aí que mora a tal ferida narcísica que tantos falam e que carregamos em tantos momentos de nossas vidas. Pra quem não conhece a abordagem psicanalítica, talvez fique difícil de entender algumas coisas, talvez choque um pouco, então deixo meu e-mail aberto para dúvidas.
Primeiramente torna-se necessário explicar que sexualidade não tem haver com sexo genital, libido é visto como energia, pulsão vital, não tesão e afeto é tudo o afeta, é um misto de todos os sentimentos. Vou falar de filhos que foram criados pelas mães biológicas, porque eu sei que sempre vem um espertinho e fala “Pô e quem foi adotado?” (eu sou engraçadinha assim em aula, só de sacanagem).
Antes de nascermos, moramos na barriga de nossas mães, todo mundo teve mãe, mesmo que essa não esteve presente depois do parto, mas é a mãe que carrega os filhos até que ocorra o amadurecimento gestacional e o nascimento. Dentro do saco amniótico existe uma substância que se assimila a composição do mar, a lágrima também, então, meus amigos músicos e poetas, mar na maioria das vezes remete a função intrauterina, ou seja, nosso primeiro ambiente após a fertilização e é lá nesse ambiente, que se passou a parte mais segura da vida da gente, dentro de nossas mães.
Gente não quero transformar isso em artigo cientifico, nem o blog em um lugar que não se entende o que se escreve e vou deixar o material que escrevi sobre as primeiras fases do desenvolvimento para o próximo post, sei que é super necessário explicitar essas fases, mas vou falar da fase edipiana, ou seja, dos 03 a 5 anos e dos resquícios que essa fase deixa na vida de todos nós.
É a fase em que se instaura a tão cobrada moralidade e a idealização das coisas, é formado o superego, visto que, meninos queridos do meu coração, Jim Morrison e Cazuza estavam certos, todos vocês um dia quiseram pegar a mamãe escondidinho do papai e isso não é absurdo, tiveram aceitar na marra que o marido da mãe é o pai e precisaram se reaver com o pai, acontece a síndrome de castração e disso surge os conceitos morais de certo e errado, o que é um dos motivos de ocorrer o clube do bolinha e os meninos só brincarem com os meninos no período de latência e na adolescência ocorre o amadurecimento de nossas capacidades genitais e biológicas e aí na maioria dos casos ocorre a relação sexual genital.
Consigo observar em alguns de vocês homens um ponto de fixação muito grande nas mães, a maioria de vocês idealizam mulheres com características maternas e se não somos suficientes, não servimos e isso é natural, é lindo. Mas acontece que atualmente a fixação tem sido tão grande que os meninos, diga-se de passagem na fase dos 30 pra frente, que antigamente nessa idade já tinham constituído família, ainda moram com as mães, servindo assim de maridos da mãe em alguns casos mostrando uma não resolução na fase edípica.
Essa insuficiência me leva a crer que antigamente, o padrão feminino era mais homogêneo, pois, o homem sustentava a família financeiramente e a mulher cuidava da casa e dos filhos, sendo assim, atualmente a coisa mudou e então a lacuna fica no sentido de que mamães suprem a casa, assim como os papais e por sentirem culpa de não serem presentes o tempo todo, fazem tudo o que os filhos querem e quando vê, o bebezão edipão, venera e namora a mãe até os 30 e poucos anos e não amadurecem, nunca vão ser adultos de verdade, fica um tácito incesto e isso passa por amor de mãe e filho aos olhos leigos. Isso não é amor, é perversão, é uma forma de controlar e estagnar a vida do filho, inibir a autonomia, não deixa-lo crescer.
Ai vocês vão pensar “Raquel FDP, você ataca só os homens”, sim, sou mulher e adoro defender meu gênero, sou mulher que bate o pau na mesa, se necessário e não me acovardo perante meninos birrentos.
Fica difícil deixar de ser filho e alcançar o status de homem maduro e seguro de si com uma mãe que supre o tempo todo, não há movimento de luta pela vida e sim um adormecimento no desenvolvimento, e a criança de 03 anos vive eternamente. Sinto pena das meninas que se sentem atraídas e enganadas por esses tipos, pois, sempre ocuparão o lugar das amantes e não da mulher de verdade, pois, nunca serão suficientes para eles.
Existe uma fase na adolescência que os meninos não aceitam moralmente as meninas mais liberais, visto que, a figura materna é tão internalizada e tão pura, que meninas bem resolvidas, não se assemelham com a santidade da mãe, mas ao mesmo tempo fornecem a satisfação de um desejo antigo pela mãe, essa ambiguidade gera um tipo de excitação misturada à culpabilidade, o que acarreta um movimento de rechaço e desvalorização a tais garotas.
Bom o texto foi maior dessa vez porque faz tempo que eu não escrevo, estava achando que nunca mais ia conseguir escrever nada, passei por um período de fraca inspiração e muita produção acadêmica. Vou deixa um vídeo que resume bem a ideia de inconsciente, portanto, o inconsciente desconhece tempo e espaço, é tudo de tudo, assim como relata na música Eclipse e vou deixar a música mais Edipiana que já ouvi, também do Pink Floyd, o nome já diz, “Mother” e agradeço a um amigo que felizmente me lembrou que essa música existe.




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