Olá amigos, colegas e leitores!!!!
Estava aqui pensando sobre sociedade e isso dá um trabalhão pro cérebro, estava fazendo o movimento contrário do que chamamos de sociedade, na contramão do desenvolvimento social, da formação da polis e cheguei à conclusão que tudo isso se resume ao tabu do incesto (sei que alguém já chegou nessa conclusão antes, a ideia não é minha). Vocês podem até pensar, meus caros, “Raquel tudo é sexualidade então?” e eu respondo com muita sinceridade, “Sim, tudo é sexualidade, no quesito relações humanas, sim”. Semana que vem, vou ao Congresso Brasileiro de Psicanálise e o tema dele é “Limites: Prazer e Realidade”, o que me deixou inquieta e pensativa a esse respeito.
E porque tudo isso tem haver com tabu do incesto? Bom meus queridos, a constituição psíquica dos animais “irracionais” (ainda não tá na hora de explicar as aspas) não é igual a nossa, visto que, nós humanos temos “consciência” dos nossos sentimentos (nem sempre) e apresentamos em nossa constituição o princípio de realidade e o principio de prazer, ou seja, o que deseja e o que decide se é viável ou adiável a realização desse desejo ou não.
Animais “irracionais” e alguns humanos “irracionais”, fazem sexo com seus familiares, mas nem sempre fomos assim, nós humanos também fazíamos como os animais irracionais, até que surge o tabu do incesto e juntamente com isso nasce o conceito de família e de limites sociais e assim como o efeito bola de neve, surge o conceito de sociedade com tudo que temos atualmente. Portanto com o tabu do incesto, passamos a ser a mais “civilizados”, éticos e morais. Portanto, existindo a família, inicia-se também o movimento de territorialidade, forçando o ser humano a se desenvolver mentalmente, surgindo assim o trabalho e a delimitação de espaços. Querendo ou não, somos seres sociais justamente pra contrariar a natureza e a ciência está aí pra mostrar o resultado, visto que a humanidade uniu-se em sociedade para se proteger das forças da natureza, o ser humano inventa artefatos com o intuito de substituir ou se proteger da natureza.
Se o tabu do incesto não existisse, não teríamos a condição e a organização social atual, posto que, continuaríamos nos relacionando sexualmente com nossos familiares ou a espécie humana nem existiria mais, pois as relações não seriam regidas pelo principio de realidade, seriamos regidos pelo principio de prazer, ou carga libidinal livre, sem nenhum mecanismo de defesa, faríamos tudo que viesse na cabeça, portanto, se não podemos nos relacionar com nossos familiares, recalcamos o afeto neles primeiramente depositados dos 3 aos 6 anos idade e transferimos no período de maturação genital aos nossos objetos de afeto reais, constituímos família e geramos filhos, que posteriormente gerarão outros filhos e assim por diante, transferindo de geração em geração uma condição moral e social de civilização.
Sabiamente, Sófocles escreve a tragédia grega “Édipo Rei” e pesca essa ideia inconsciente de tabu do incesto e um tempão depois, Freud elabora a ideia e conceitua no tão famoso conceito do Complexo de Édipo.
Queridos leitores, essa é a primeira parte do texto, terá continuação logo, não gosto de cansar vocês com textos longos, então provavelmente vou escreve-lo em algumas partes ainda e na semana que vem eu posto mais um pouco dessa minha viagem social. Semana que vem vou escrever sobre a monogamia como um magnifico componente das relações sociais.




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